sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Novas Tecnologias: A Filosofia da Caixa Preta

A partir desta semana, vou escrever textos que fazem parte da aula do professor Eric Messa, nos quais farei análise de alguns textos de importantes pensadores do mundo da comunicação. A primeira análise é do nono capítulo do livro "Filosofia da Caixa Preta"de Vilém Flusser.

Flusser, em seu livro recheado de simbologia, em primeira instância toma a caixa preta como a máquina fotográfica propriamente dita. No entanto é possível transpôr esse conceito para diversos outros meios tecnológicos, como o computador. Temos que ter como preceito básico a tecnologia como extensão do homem, afinal de contas o que é a agenda do celular além de uma extensão da sua mente ou o carro como extensão de suas pernas, entre diversos outros exemplos. Com isso podemos entender a razão pela qual o autor é tão contrário à submissão humana em relação a máquina, pois , apesar de na teoria ser apenas instrumento, na prática ela descaracteriza a ação humana e não leva em conta o fator externo caracterizado na pessoa que opera seus comandos.

Como eu afirmei, o livro possui simbologias marcantes e sua premissa básica é mostrar ao homem como tirar proveito da máquina ao invés de submeter-se ao sistema alienador gerado por ela, branquear a caixa preta é a única saída plausível, segundo ele. Vilém Flusser entende que "liberdade é jogar contra o aparelho", e para isso você precisa ter um conhecimento profundo da máquina que opera para poder manipula-lá não como escravo mas como senhor. Branquear a caixa preta é transpôr o básico para gerar uma produção que transcende a normalidade da máquina, e isso é possível apenas com o indivíduo, que precisa conhecer ao invés de simplesmente operar seu aparato tecnológico.

O texto que tem como personagem principal a máquina fotográfica não pode ser resumido à ela, pois ao longo do tempo suas idéias se mostraram anacrônicas e facilmente aplicáveis ao mundo contemporâneo, sem maiores abstrações. Particularmente, concordo com Flusser quando ele afirma que devemos conhecer ao máximo a máquina e que ainda podemos sair desse sistema doutrinador que impera cada vez mais, no entanto não concordo com o seu julgamento da fotografia que a coloca como um registro de superfícies, sem uma profundidade artística, mesmo porque a fotografia abriu portas para uma rota que findou na arte contemporânea, fugindo do seu caráter mimético, tão característico durante séculos.

No meu ponto de vista, em sintonia com as idéias de Flusser, temos que criar uma filosofia da caixa preta, hoje em dia principalmente do computador, senão em pouco tempo essa será também a filosofia humana enxuta e resumida aos pixels.

Saiba mais sobre o filósofo:

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